quinta-feira, 29 de março de 2018




Moldas o silêncio das sombras até ao último
sopro do verão.
Ergues a voz rente ao precipício
e qualquer nuvem te levanta do chão.

Ajustas os braços ao destino, mordes
 temporariamente a ilustração.

E eu?

Encalham-me as palavras em quase tudo
e devagar
encolho-me de novo,
pois que o teu voo é a única oração.


Que caiba o teu corpo na geometria do vento.
Mas o peso da consciência, nunca.

NÃO!



Maria da Fonte
Imagem retirada da internet



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018


De repente,
outro nome me nasce nos teus dentes
e nos teus dedos reparto-me pelo mundo.

É no adejar dos teus braços que me excedo
e com um punhado de beijos
que me arrumo.

Maria da Fonte
Imagem retirada da Internet

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Posiciono-me no vértice do pensamento,
procuro comodamente posição.

Cerro o olhar e deixo-me cair,

sem coordenadas,


até ao coração.


Maria da Fonte
Imagem retirada da Internet

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

À noite o tempo tem mais pressa



Um rasgo de mão e acrescentas
um qualquer pormenor ao vaguear.

(À noite o tempo tem mais pressa,
as sombras vestem agasalhos.)

Um rosto espera por ti
e tu desenhas-te sorrateiramente no olhar.

Em fila os dedos guardam novos rumos.

Deixas-te descer pontualmente,
resgatas-te, depois, em cada corrente de ar.

Maria da Fonte

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


De cima, as curvas dos ratos escondem
figuras de gente. Com efeitos laterais,
nunca visíveis de frente.

Na construção da imagem,
a obra engana o olhar.
Um rato desaparece, outro surge em seu lugar.

Um jeito dado à tela,
e os pequenos roedores, das tocas onde procriam,
emergem aos corredores.

No baloiçar da moldura para um e outro lado,
percebem-se leves traços
de um peito meio inchado.

Estendem-se depois os efeitos do centro
até às beiras e os ratos pincelados
criam famílias inteiras.

E se a tela não cair ,entre uma e outra pista,
detalhes mostram que os ratos
comem a mão do artista.

Maria da Fonte